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Continuação> COMO ESCREVER UMA PEÇA DE TEATRO.

 

 

 

CENA I

 

Dona Magnólia, Aninha

 

Dona Magnólia, recostada no sofá, lê um livro. (Rubrica objetiva).

 

 

 

ANINHA

 

 Entrando na sala (Rubrica objetiva).

 

 

 

DONA MAGNÓLIA:

 

Levanta-se do sofá, tem numa das mãos o livro que lia (Rubrica objetiva).

 

Surpresa: (Rubrica subjetiva)

 

 O que aconteceu? Você nunca volta antes das 9 horas!

 

 

 

ANINHA

 

Mantem-se afastada da mãe, a poucos passos da porta. (Rubrica objetiva)

 

 Não fui ao trabalho. Saí apenas para um passeio. Eu precisava refletir... (Desalentada - Rubrica subjetiva) Mas não adiantou muito. Meus problemas são de fato problemas!

 

 

 

(Muda a Cena devido à entrada de mais um personagem) CENA II

 

Dona Magnólia, Aninha, Sinval.

 

 

 

SINVAL

 

Parado à entrada do corredor, tosse discretamente para assinalar sua presença. As duas mulheres

            voltam-se para ele (Rubrica objetiva).

 

Dona Magnólia, vou buscar Dr. Machado. Está na hora dele fechar o consultório.

 

 

 

ANINHA

 

Num ímpeto: (Rubrica subjetiva)

 

Não, Sinval. Hoje eu vou buscar meu tio. Vou no meu carro. Tenho um assunto para conversar com ele na volta para casa.

 

 

 

SINVAL

 

Embaraçado: (Rubrica subjetiva)

 

Dona Ana... Às quintas-feiras ele não vem direto para casa... Eu é que devo ir. Ele voltará muito tarde.

 

 

 

 

 

Redação: papel e espaço. A folha de papel “ofício grande” é o mais prático para a redação do Roteiro. O texto no papel tamanho carta fica mais elegante, mas fica mal distribuído porque a folha é de tamanho reduzido. O espaço em branco extra neste caso serve para o diretor, os atores, e a equipe de produção fazerem anotações, correções e sugestões para melhorar o trabalho nos seus setores. Como dito acima, o tipo mais comumente usado em roteiros é o Courier n° 12. As peças, quando impressas em livros, têm formato mais econômico geralmente trazendo para uma linha só o que na pauta de trabalho está em linhas separadas.

As palavras e frases precisam ser impressas com clareza e, principalmente no Teatro Pedagógico, escritas com toda correção ortográfica e gramatical. É preferível a ordem direta, evitando-se o quanto possível os tempos compostos dos verbos. Porém, a linguagem usada deve ser aquela a que a média dos espectadores esteja habituada a usar no seu dia a dia, e os sentimentos mostrados pelos personagens devem ser expressos do modo como as pessoas em geral costumam expressá-los.

Se o texto é em versos, estes devem ser absolutamente simples. Através do apelo do seu ritmo podem oferecer ao dramaturgo oportunidades para efeitos emocionais que a prosa não lhe permitiria, mas devem ser escritos tanto quanto possível de modo a que pudessem ser falados com inteira naturalidade pelos atores, em lugar de declamados. Para isso, não deveriam incorporar palavras, ainda que bonitas, que não sejam usadas na conversação diária da média dos freqüentadores de teatro, e as palavras colocadas somente em sua ordem natural, e sem nenhuma inversão supérflua em benefício do ritmo.

 



Escrito por Anna Angela às 15h16
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COMO ESCREVER UMA PEÇA DE TEATRO

 

Escrever uma peça corresponde a escrever o Roteiro, ou Script, para a representação teatral de uma história. O Roteiro contém tudo que é dito pelos atores no palco, e as indicações para tudo que deve ser feito para que a representação seja realizada.  

Uma página sobre como escrever um Roteiro de Teatro não basta para passar toda a idéia do que é e do que requer essa tarefa.. É necessário que a pessoa tenha assistido a um espetáculo teatral  pelo menos uma vez, e que leia alguns roteiros, para que tenha a noção completa do que é escrever uma peça, e sobretudo para compreender as limitações a que o teatro está sujeito, se comparado a outros meios de produção artística como a literatura e o cinema, e também o potencial dessa forma rica de expressão artística..

A peça de Teatro divide-se em Atos e Cenas. Os Atos se constituem de uma série de cenas interligadas por uma subdivisão temática. As cenas se dividem conforme as alterações no número de personagens em ação: quando entra ou sai do palco um ator. O cerne ou medula de uma peça são os diálogos entre os personagens. Porém, o Roteiro contém mais que isto: através das Rubricas e das Indicações ele traz as determinações indispensáveis para a realização do drama e assim orienta os atores e a equipe técnica sobre cada cena da representação.

As Rubricas (também chamadas “Indicações de cena” e "indicações de regência") descrevem o que acontece em cena; dizem se a cena é interior ou exterior, se é dia ou noite, e o local em que transcorre. Interessam principalmente à equipe técnica. Apesar de consideradas como “para-texto” ou “texto secundário”, são de importância próxima à do próprio diálogo da peça, uma vez que este normalmente é insuficiente para indicar todas as ações e sentimentos a serem executados e expressos pelos atores. Sylviane Robardey-Eppstein, da Uppsala Universitet, no verbete Rubricas do Dictionnaire International des Termes Littéraires, faz uma classificação minuciosa das rubricas. Vamos aproveitar aqui apenas as seguintes categorias: Macro-rubrica e Micro-rubrica, esta última dividida em Rubrica Objetiva e Rubrica Subjetiva..

A Macro-rubrica é uma Rubrica geral que interessa à peça, ou ao Ato e às Cenas; é também chamada “Vista”, e é colocada no centro da página, no alto do texto de cada cena, e escrita em itálico ou em maiúsculas. As demais Rubricas estão inseridas no diálogo e afetam apenas a ação cênica

A Micro-rubrica Objetiva refere-se à movimentação dos atores: descreve os movimentos, gestos, posições, ou indicam o personagem que fala, o lugar, o momento, etc.

As Micro-rubricas Subjetivas interessam principalmente aos atores: descrevem os estados emocionais das personagens e o tom dos diálogos e falas.

Ao fazer as Indicações Cênicas ou Rubricas o dramaturgo (o Autor) interfere na arte de dirigir do Diretor de Cena e também enquadra a interpretação dos atores sem respeitar sua arte de interpretar. Por essa razão deve limitar-se a fazer as indicações mínimas requeridas para o rumo geral que deseja dar à representação, as quais, como autor da peça, lhe cabe determinar.

As falas são alinhadas na margem esquerda da folha, e cada fala é antecedida pelo nome do personagem que vai proferi-la. O nome do personagem é centralizado em letras maiúsculas (caixa alta).

As Rubricas e as Indicações ficam em linhas separadas e escritas em itálico, afastadas da margem esquerda uma meia dúzia de espaços (endentação). Mas podem também cair em meio à fala, e neste caso, além de escritas em itálico, também são colocadas entre parênteses. As palavras precisam ser impressas com nitidez e ser corretamente redigidas. Usa-se em geral a letra Courier no tamanho 12. Entre a fala de um e de outro personagem é deixado um espaço duplo. Os verbos estarão sempre no tempo presente, e a ordem das palavras deve corresponder à seqüência das ações indicadas.

Um exemplo:

 

 

 

(Na primeira página, somente o título da peça) O MISTERIOSO DR. MACHADO)

 

 

 

(Na segunda página, todos os personagens da peça) PERSONAGENS

Frederico Torres, vereador.

Aninha, secretária de Frederico.

Dona Magnólia, mãe de Aninha.

Machado, médico, irmão de Dona Magnólia.

Sinval, motorista de Machado.

Robespierre, amigo da família.

 

 

Na terceira página, a macrorubrica) PRIMEIRO ATO

 

Casa de família da classe média. Sala de estar com sofá, abajur, consoles e outros móveis e apetrechos próprios. Uma saída esquerda, dá para o corredor. À direita, a porta principal, de entrada da casa.

É noite (Macrorubrica) .

 

 

 

 

 

.



Escrito por Anna Angela às 15h11
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TEXTOS DE PEÇAS TEATRAIS

 

  • O Despertar da Primavera - Comentário: "Alemanha 1890...O HOMEM ESTA EM CENA. TEMA: O despertar da sexualidade. Muita gente, locais e histórias, tendo, como protagonista coletivo os adolescentes e como antagonista os adultos. Um drama naturalista que aos poucos se liberta adquirindo realismo e a compreensão do espetáculo como arte (irmão da poesia e da pintura ) - Expressionismo - . É também um diálogo sobre a evolução da encenação, não deixando de exibir os romanescos e ingênuos casos dos adolescentes, mas gerando um "impasse" entre os pontos de vista social e individual. "O DESPERTAR DA PRIMAVERA" é uma peça de plenitude, com a vitalidade de todas as grandes obras que levanta a bandeira da liberdade e vibra para a ultrapassagem das fronteiras e dos tabus que marcam para nós o final do século e que deixou aqui marcas de fogo." (fonte do comentário:O despertar da Primavera)

 

 

  • A mandrágora - Peça de 1518 Nicolau Maquiavel (1469-1527) - Comentário: "O texto nos mostra a estória de Calímaco, um homem jovem e rico, que está apaixonado por Lucrécia, que é casada com Messer Níssia. Disposto a tudo, Calímaco, com a ajuda de Ligúrio, se envolve numa série de trapaças e engana a todos para conseguir o que deseja: passar uma noite de amor com a mulher. Finge ser um médico e é contratado, pelo próprio marido, para resolver o problema de esterilidade da moça. O marido, concorda com a receita dada pelo falso médico, e permite que sua esposa passe a noite com um outro homem, para que assim o efeito da fórmula, a base de mandrágora, faça o efeito. Obviamente esse homem será o próprio 'médico'. A mandrágora é uma raiz nativa do sul da Europa e dos países do Mediterrâneo oriental. Os gregos antigos a misturavam com o vinho (que então era normalmente servido contendo várias ervas, além de água do mar provavelmente para amenizar o seu paladar). A utilizavam também como anestésico, em sua medicina. O grande discurso do autor é mostrar as várias formas de se corromper ou de ser corrompido. Para isso não poupa ninguém: todos os personagens, em algum momento são "subornados" por outro(s)."

 

 

  • Nossa vida em família - Peça de Oduvaldo Vianna Filho - Comentário: "Nossa vida em família" estreou no Teatro Itália, em São Paulo, em março de 1972, com direção de Antunes Filho e cenografia de José de Anchieta. Esta peça é uma descrição de muitas vidas e sua maior função é transmitir para as pessoas como determinados métodos podem conduzir a vida a uma irreparável mediocridade... Nossa Vida em Família" descreve minuciosamente esse jogo, que por ser um jogo de viver, fica distanciado da vida real, sem que as pessoas que o jogam percebam."

 

 

  • Birosca-Bral - Peça Teatral de Tiche Vianna - Comentário de Tiche Vianna: "Birosca-Bral é um espetáculo que juntou uma linguagem com a qual eu trabalho a muito tempo: a Comedia dellarte que eu tento juntar no universo brasileiro e neste espetaculo busquei o diálogo com o jovem da periferia e descobri o movimento hip-hop e achei de uma potência artística tão incrível que somei ao meu trabalho para poder me comunicar com o jovem da periferia."
  • Caiu o Ministério - Peça Teatral de França Junior (1882) - Comédia original de costumes em 3 atos por França Junior (1882) - Comentário: "Dramaturgo inventivo, França Júnior figura ao lado de Martins Pena e de Artur Azevedo como um dos criadores da comédia brasileira. Suas peças caracterizam-se por seus personagens ingênuos e caricatos. Em sua simplicidade, eles levam para a cena uma realidade desconcertante, as vezes até ridícula e trágica, onde fotografam com primor e graça a realidade de uma sociedade em crise. Em Caiu o ministério encontramos a sátira violenta à crise final do regime monárquico brasileiro, manifesta, por exemplo, na formação de dez governos parlamentares no curto período compreendido entre 1880 e 1889 ou, ainda, no controle do poder legislativo pelos grupos mais fortes da aristocracia imperial, incapazes, muitas vezes, de expressar os interesses da maioria da nação. França Júnior nunca produziu senão trabalhos originais, consagrando-se como comediógrafo e observador original dos nossos costumes."

 

 

  • Geração Trianon - Comentário: "Texto elaborado por Anamaria Nunes a partir de frases, expressões, citações e situações da nossa História Teatral nas décadas de 10, 20 e 30. Encenado em 1998 pelo Grupo de Teatro Téspis, na cidade de Campinas, retrata o dia a dia de uma companhia teatral que atuava no Teatro Trianon, Rio de Janeiro, início do século XX. Nesta época, era comum os espetáculos serem substituídos toda semana. O repertório era vasto, e havia a presença marcante do ponto, que auxiliava os atores em suas falas durante a apresentação.O texto de Ana Maria Nunes mostra as peripécias dos bastidores teatrais, flagrando, de forma divertida, todos os integrantes e responsáveis pela condução do espetáculo."

 

 



Escrito por Anna Angela às 14h59
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